Alexander Zverev garantiu um feito inédito para o tênis alemão: ele se tornará o primeiro compatriota a encerrar uma temporada como número 1 do ranking mundial da ATP. A confirmação matemática veio de forma inesperada, após a derrota de Carlos Alcaraz para Zizou Bergs na terceira rodada do Masters de Xangai, resultado que eliminou qualquer chance de o espanhol ultrapassar o alemão na briga pelo topo em 2026.
O cenário ficou ainda mais favorável a Zverev com a notícia de que Jannik Sinner, atual líder do ranking, deve desfalcar o circuito pelo restante da temporada por conta de lesão. Sem o italiano em quadra para somar pontos e sem Alcaraz com chances reais de alcançá-lo, o alemão assegura o posto de encerramento de ano antes mesmo do fim oficial da temporada.
Um lugar entre os gigantes do esporte
Ao fechar 2026 na liderança do ranking, Zverev entra para uma lista restrita que inclui nomes como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic - todos campeões que, em algum momento de suas carreiras, terminaram o ano como number one. Para a Alemanha, país com tradição no tênis masculino graças a Boris Becker e ao próprio Federer-rival Michael Stich, trata-se de um marco histórico que nenhum outro compatriota havia alcançado.
A temporada de Zverev foi, sem dúvida, a mais consistente de sua carreira. O alemão conquistou os dois primeiros títulos de Grand Slam de sua trajetória, levantando os troféus de Roland Garros e do US Open - resultados que encerraram anos de expectativa em torno de um jogador que já havia chegado a finais de major sem conseguir completar o ciclo vencedor.
A conta que ainda não fechou com Alcaraz e Sinner
Apesar da campanha de estatística, Zverev segue sem resolver um problema específico: ele não bate Carlos Alcaraz e Jannik Sinner quando o confronto direto importa de verdade. Contra Alcaraz, teve apenas um encontro no ano, perdendo nas semifinais do Australian Open por 6-4, 7-6, 6-7, 6-7 e 7-5, em um jogo de cinco sets que resumiu bem a dificuldade do alemão diante do espanhol.
Contra Sinner, o retrospecto é ainda mais desfavorável. O italiano venceu Zverev nas finais do Masters de Madrid e de Wimbledon neste ano, e acumula dez vitórias consecutivas sobre o alemão no circuito da ATP. No somatório direto em Grand Slams, Zverev tem um retrospecto de 2 vitórias e 3 derrotas tanto contra Alcaraz quanto contra Sinner - números que mostram que, mesmo liderando o ranking, ele ainda precisa provar que pode superar os dois principais rivais nos palcos mais importantes do calendário.
Caminho em Xangai: Bublik na mira
Na briga pelo título do Masters de Xangai, Zverev vem cumprindo tabela. Ele superou Yibing Wu e depois Quentin Halys, adversário que já havia levado o alemão a cinco sets na segunda rodada do US Open no mês passado. A vitória sobre o francês garantiu a Zverev um confronto de oitavas contra o cazaque Alexander Bublik, 19º cabeça de chave e um dos jogadores mais imprevisíveis do circuito.
O histórico pede cautela: Zverev tem apenas uma vitória em quatro duelos contra Bublik, um adversário capaz de alternar momentos de genialidade com erros não forçados em sequência. Quem avançar enfrentará o vencedor de Alex de Minaur contra Karen Khachanov nas quartas de final, em um torneio que, mesmo sem influenciar mais o topo do ranking anual, segue relevante na construção de confiança para Zverev antes do fechamento da temporada.